Entendendo as Antífonas do 24º Domingo do Tempo Comum | Ano A
Antífona de Entrada
Original em Latim: Da pacem, Dómine, sustinéntibus te, ut prophétae tui fidéles inveniántur: exáudi preces servi tui, et plebis tuae Israel. Ps. Laetátus sum in his quae dicta sunt mihi: in domum Dómini íbimus. (Sir. 36, 18; Ps. 121)
Vernáculo: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso
povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas
sejam verdadeiros. (Cf. MR: Eclo 36, 18) Sl. Que alegria, quando
ouvi que me disseram: "Vamos à casa do Senhor!" (Cf. LH: Sl 121, 1)
O capítulo 36 de Eclesiástico é a Oração pela libertação de Israel. Neste versículo 18 utilizado na Antífona de Entrada (Introito) lembra-se uma referência de Lc 18, 1-8, onde Jesus conta a parábola da viúva que de tanto pedir justiça acaba sendo atendida. Se Deus é justo juiz, haverá de fazer valer bem depressa sua sentença àqueles que esperam Dele. A súplica nesta oração é para que Deus se recorde de sua promessa e que aplaque sua ira sobre o povo.
O servo é Israel e o povo eleito é a cidade santa de Jerusalém. Nós somos os servos, somos Israel e a Cidade Santa de Jerusalém é o céu que antecipamos com a Santa Missa. As preces são de nós, aqui da terra, e do céu, como descrito na Antífona e para que se cumpra tudo aquilo com que os profetas proclamaram, Deus nos atende com misericórdia. Desde a eternidade, Deus tem um projeto de amor e de salvação destinado a todas as criaturas, chamadas a tornar-se seu povo.
A face amorosa de Deus que se volta para a prece do povo é uma antecipação do que veremos na Liturgia deste domingo. É a face Daquele que espera por nós e se compadece de nossas iniquidades. É a face de Deus que nos perdoa sem que mereçamos.
Segundo o Papa Bento XVI, o Salmo 121, que acompanha esta Antífona, é uma celebração viva e partícipe em Jerusalém, a cidade santa para a qual se dirigem, nós, os peregrinos. O verso 1 utilizado refere-se à alegria do fiel que aceitou o convite a ir “à casa do Senhor”.
Cantamos esta Antífona de Entrada neste domingo alegres do convite de
Deus Pai Misericordioso que nos perdoa e nos espera atentamente. Mesmo
conhecendo todas as nossas faltas, nos permite, livremente, enxergar com nossos
olhos as verdades obscurecidas pelo pecado. Ele ouve as nossas preces, concede-nos
a paz e nos fortalece na caminhada rumo à Cidade Santa de Jerusalém.
Salmo Responsorial 102
℟. O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.
Todo o salmo 102 é um louvor ao amor de Deus por nós. O salmista louva, bendiz o Senhor por todos os benefícios a ele concedidos. Provavelmente surgiu pelo sentimento que o salmista teve pelo perdão de seus pecados e louva o Senhor.
O refrão do salmo mostra o quanto louvamos: porque o Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso. É também um convite à conversão, pois, não há melhor maneira de louvar o Senhor do que mostrando nossas culpas e nos convertendo; buscando cada vez mais não desagradá-Lo.
Fato é que a Misericórdia implica justiça, ou seja, a ira de Deus. O Criador sabe bem como somos, afinal, Ele mesmo nos fez. E por isso sabe bem o quanto somos fracos na carne. Um corpo fraco deixa-se levar pelas perturbações que atingem a própria alma. Por isso o salmista bendiz dizendo: “Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade”. Interessante enxergar que mesmo após a remissão dos pecados nós ainda vivemos os perigos das tentações. Porém, se estamos nas mãos de Quem nos fez e nos conhece em todos os detalhes, saberá aplicar o remédio certo para o nosso bem e nós, obedientes, mesmo que doa, aguentaremos firme, pois temos a certeza da cura.
Cantamos este
salmo neste domingo, louvando ao Senhor de corpo e alma por todos os dons que
ele nos dá, por todas as suas consolações, por todas as Suas correções, por
todas as graças, pela indulgência que O levou a não retribuir conforme
merecíamos, por todas as suas obras. Cantamos também não somente porque Deus é
bondade, mas porque por Sua bondade seremos eternamente “devedores”. Que nossas
obras bendigam o Senhor e não somente os nossos lábios.
Antífona de Ofertório
Original em
latim: Texto Original:
“Sanctificávit
Moyses altáre Dómino, ófferens super per illud holocáusta, et ímmolans
víctimas: fecit sacrificium vespertínum in odorem suavitátis Dómino Seo, in
conspéctu filiórum Israel.” (Ex 24, 4.5)
Vernáculo: Moisés edificou um altar para o Senhor, oferecendo sobre ele holocaustos e imolando vítimas. Ofereceu o sacrifício vespertino de suave odor ao Senhor Deus, diante dos filhos de Israel. (tradução: Breno Cury)
O Capítulo 24 do Êxodo é a conclusão da aliança com o povo de Israel. A Antífona de Ofertório do Antigo Testamento traz a sombra do que seria a Nova Aliança, mas não com o sangue de cordeiros e touros, mas com Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Algo interessante que aconteceu é que quando Moisés transmite a palavra de Deus o povo responde dizendo que obedecerão tudo que o Senhor disser. Ou seja, aceitam toda a lei. Todo o povo sela com o Senhor aliança através do sacrifício que é aceito e lhe é agradável (suave odor).
Cantando esta Antífona
no Ofertório para oferecer o Sacrifício de Jesus e nos comprometemos de sermos
obedientes aos mandamentos. Nesta grande “Ação de Graças” ofertamos a Deus tudo
o que temos e tudo o que somos, para que Jesus ofereça ao Pai e assim
santifique nossa vida, juntos com todos os que se reúnem para celebrar. E é
nosso dever, dentro desta promessa, buscar também a comunhão com os irmãos.
Antífona de Comunhão
Vernáculo: Trazei oferendas e entrai nos seus átrios,
O título que se dá ao Salmo 95 é “Glória ao Criador”. Ele é um hino de louvor pelas obras de Deus Criador. O salmo inteiro impõe como se deve dar glórias ao Senhor, por Sua Majestade, por Seu poder, por Sua justiça, enfim, por tudo o que representa perante Sua criação. É Deus que ampara todo o universo e governa a história da humanidade.
A primeira parte do salmo corresponde a uma adoração ao Senhor diante do seu Santuário, no templo de Sião. São expressões que usamos de frente ao Rei dos reis, ao Senhor de nossas vidas. O gesto fundamental perante o Senhor Rei, que manifesta a sua glória na história da salvação é, por conseguinte, o cântico de adoração, de louvor e de bênção. Estas atitudes são esperadas de todos nós após receber a Sagrada Eucaristia, mas, além disso, devem também fazer parte da nossa Vida Litúrgica, da nossa oração pessoal.
A Antífona são os versículos 8 e 9, onde o salmo expõe a adoração através de oferendas. Essa adoração e oferta são realizadas dentro do “átrio”, ou seja, tomando o significado da palavra, “Trazei oferendas e entrai na sala principal do Senhor”. O trecho do Salmo na Antífona de Comunhão trata Deus como uma construção. Cantamos o salmo 95 como quem edifica uma casa. Edificamos o Templo do Senhor dentro de nossos corações, no centro de nossa alma; “entrai nos seus átrios”, portanto, é, neste contexto, entrar dentro do nosso interior, aonde, através da Sagrada Comunhão e dos Sacramentos, habita Deus.
Não podemos entrar em “Seus átrios” de mãos vazias. E o que ofertamos a Ele? Que tipo de oferenda podemos apresentar dentro de nossa alma a Jesus, nosso Senhor?
Vai dizer o salmo 50: “meu sacrifício é minha alma penitente”, um espírito contrito. Deus não despreza um coração arrependido e humilhado. Se entramos nos átrios do Senhor com humildade, seremos a própria oferta. Se formos soberbos, entraremos de “mãos vazias”. É preciso este entendimento de sermos a própria oferta, o próprio sacrifício (assim como Jesus é por nós em toda Santa Missa).
Devidamente limpos, “vazios” dos pecados, encontremos Jesus na Sagrada Eucaristia, entoemos o Salmo 95 da Antífona de Comunhão e nos ofereçamos como sacrifício vivo, desprendidos de qualquer sentimento deste mundo que nos impede de encontrar o Cristo. E assim, prontos, deixemos que o Senhor nos preencha.
Como disse Santa
Teresa D’Ávila em um de seus belos poemas: “... nada te falta com Deus no coração,
só Deus basta”
REFERÊNCIAS
AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. Comentários aos Salmos. São Paulo: 1997. Coleção Patrística.
CNBB, Missal Dominical. Missal da Assembleia Cristã.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 8ª impressão, 2012.
CATENA AUREA.
Exposição contínua sobre os evangelhos. Vol. 1: Evangelho de São Mateus. Santo
Tomás de Aquino. 1ª edição – julho de 2018 – CEDET

Muito feliz por sua bela iniciativa! Que Deus lhe abençoe sempre, também à sua família e vocação, e nossa Senhora lhes guarde sob seu manto!
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