24º Domingo do Tempo Comum Ano A | Entendendo as Antífonas

Entendendo as Antífonas do 24º Domingo do Tempo Comum | Ano A

Sobre a Liturgia (contexto da Liturgia da Palavra)

A prática da Misericórdia de Deus!

Meditação Litúrgica para este domingo nos adverte sobre o nosso comportamento quanto ao próximo, buscando sermos semelhantes a Jesus em sua Misericórdia.

O Evangelho apresenta a situação específica do perdão de uma dívida impagável. De acordo com Santo Agostinho o fato do servo dever 10 mil talentos significa dizer que ele tinha desobedecidos os 10 mandamentos da lei, ou seja, todos os pecados contidos ali. O servo lhe pede tempo para pagar e o Senhor lhe dá mais do que ele pede, perdoando toda sua dívida.

Estamos no tempo da Misericórdia, ou seja, o tempo em que Deus nos dá para nos convertermos, para que possamos nos arrepender de nossos pecados e nos voltar para Ele. Este é um alerta que Jesus nos dá no Evangelho: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco”. Depois que fomos chamados, depois da morte (ou se Jesus volta), acabar-se-á o tempo da Misericórdia e iniciar-se-á o tempo da Justiça.

Jesus pagou por nós uma dívida impagável! O próprio Deus veio até nós para nos reordenar, para nos ensinar o caminho da salvação. Veio e morreu por nós, pagando a nossa “dívida” no alto da Cruz. Assim como na parábola, foi nos concedido mais do que merecíamos! Por nossa “dívida”, merecíamos o inferno, porém, temos a oportunidade de mudar de direção. Eis o tempo da Misericórdia!

Na Carta de São Paulo aos Romanos (segunda leitura): “Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo.” Somos parte de um Corpo Místico, somos para os outros, assim como Jesus foi: servo obediente e disponível. A entrega de Jesus é o exemplo de como devemos ser. O perdão é uma prática daquele que entende que recebe muito mais que merece e que incansavelmente deve doar-se pois, mesmo que tivesse mil vidas, não seria o suficiente para pagar tudo o que recebemos de Deus.

Quem verdadeiramente quer viver a vida em Cristo sabe que precisa da salvação assim como todos os irmãos. Por isso, a prática da Misericórdia de Jesus deve ultrapassar nossa vida estendendo o perdão para o próximo, ou seja, fazemos o que Ele fez.

“Quem medita sobre a caridade divina e o quanto Deus está disposto a nos perdoar, não tem muita dificuldade de esquecer as culpas alheias. Aliás, a consciência reta acerca dessa matéria ajuda-nos, outrossim, a fazer uma confissão piedosa, cuja motivação não é tanto o medo do inferno quanto a dor de ter ofendido a Deus. Agindo assim, deixaremos de ser “homens carnais”, preocupados apenas com assuntos egoístas, para nos convertermos em “homens espirituais”, cheios da misericórdia de Deus.” (Pocket Terço)


Antífona de Entrada


Original em Latim: Da pacem, Dómine, sustinéntibus te, ut prophétae tui fidéles inveniántur: exáudi preces servi tui, et plebis tuae Israel. Ps. Laetátus sum in his quae dicta sunt mihi: in domum Dómini íbimus. (Sir. 36, 18; Ps. 121)

Vernáculo: Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros. (Cf. MR: Eclo 36, 18) Sl. Que alegria, quando ouvi que me disseram: "Vamos à casa do Senhor!" (Cf. LH: Sl 121, 1)   

 

O capítulo 36 de Eclesiástico é a Oração pela libertação de Israel. Neste versículo 18 utilizado na Antífona de Entrada (Introito) lembra-se uma referência de Lc 18, 1-8, onde Jesus conta a parábola da viúva que de tanto pedir justiça acaba sendo atendida. Se Deus é justo juiz, haverá de fazer valer bem depressa sua sentença àqueles que esperam Dele. A súplica nesta oração é para que Deus se recorde de sua promessa e que aplaque sua ira sobre o povo.

O servo é Israel e o povo eleito é a cidade santa de Jerusalém. Nós somos os servos, somos Israel e a Cidade Santa de Jerusalém é o céu que antecipamos com a Santa Missa. As preces são de nós, aqui da terra, e do céu, como descrito na Antífona e para que se cumpra tudo aquilo com que os profetas proclamaram, Deus nos atende com misericórdia. Desde a eternidade, Deus tem um projeto de amor e de salvação destinado a todas as criaturas, chamadas a tornar-se seu povo.

A face amorosa de Deus que se volta para a prece do povo é uma antecipação do que veremos na Liturgia deste domingo. É a face Daquele que espera por nós e se compadece de nossas iniquidades. É a face de Deus que nos perdoa sem que mereçamos.

Segundo o Papa Bento XVI, o Salmo 121, que acompanha esta Antífona, é uma celebração viva e partícipe em Jerusalém, a cidade santa para a qual se dirigem, nós, os peregrinos. O verso 1 utilizado refere-se à alegria do fiel que aceitou o convite a ir “à casa do Senhor”.

Cantamos esta Antífona de Entrada neste domingo alegres do convite de Deus Pai Misericordioso que nos perdoa e nos espera atentamente. Mesmo conhecendo todas as nossas faltas, nos permite, livremente, enxergar com nossos olhos as verdades obscurecidas pelo pecado. Ele ouve as nossas preces, concede-nos a paz e nos fortalece na caminhada rumo à Cidade Santa de Jerusalém.

 

Salmo Responsorial 102


. O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

Todo o salmo 102 é um louvor ao amor de Deus por nós. O salmista louva, bendiz o Senhor por todos os benefícios a ele concedidos. Provavelmente surgiu pelo sentimento que o salmista teve pelo perdão de seus pecados e louva o Senhor.

O refrão do salmo mostra o quanto louvamos: porque o Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso. É também um convite à conversão, pois, não há melhor maneira de louvar o Senhor do que mostrando nossas culpas e nos convertendo; buscando cada vez mais não desagradá-Lo.

Fato é que a Misericórdia implica justiça, ou seja, a ira de Deus. O Criador sabe bem como somos, afinal, Ele mesmo nos fez. E por isso sabe bem o quanto somos fracos na carne. Um corpo fraco deixa-se levar pelas perturbações que atingem a própria alma. Por isso o salmista bendiz dizendo: “Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade”. Interessante enxergar que mesmo após a remissão dos pecados nós ainda vivemos os perigos das tentações. Porém, se estamos nas mãos de Quem nos fez e nos conhece em todos os detalhes, saberá aplicar o remédio certo para o nosso bem e nós, obedientes, mesmo que doa, aguentaremos firme, pois temos a certeza da cura.

Cantamos este salmo neste domingo, louvando ao Senhor de corpo e alma por todos os dons que ele nos dá, por todas as suas consolações, por todas as Suas correções, por todas as graças, pela indulgência que O levou a não retribuir conforme merecíamos, por todas as suas obras. Cantamos também não somente porque Deus é bondade, mas porque por Sua bondade seremos eternamente “devedores”. Que nossas obras bendigam o Senhor e não somente os nossos lábios.

 

Antífona de Ofertório

Original em latim: Texto Original:
“Sanctificávit Moyses altáre Dómino, ófferens super per illud holocáusta, et ímmolans víctimas: fecit sacrificium vespertínum in odorem suavitátis Dómino Seo, in conspéctu filiórum Israel.”  (Ex 24, 4.5)

Vernáculo: Moisés edificou um altar para o Senhor, oferecendo sobre ele holocaustos e imolando vítimas. Ofereceu o sacrifício vespertino de suave odor ao Senhor Deus, diante dos filhos de Israel. (tradução: Breno Cury)

 

O Capítulo 24 do Êxodo é a conclusão da aliança com o povo de Israel. A Antífona de Ofertório do Antigo Testamento traz a sombra do que seria a Nova Aliança, mas não com o sangue de cordeiros e touros, mas com Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Algo interessante que aconteceu é que quando Moisés transmite a palavra de Deus o povo responde dizendo que obedecerão tudo que o Senhor disser. Ou seja, aceitam toda a lei. Todo o povo sela com o Senhor aliança através do sacrifício que é aceito e lhe é agradável (suave odor).

Cantando esta Antífona no Ofertório para oferecer o Sacrifício de Jesus e nos comprometemos de sermos obedientes aos mandamentos. Nesta grande “Ação de Graças” ofertamos a Deus tudo o que temos e tudo o que somos, para que Jesus ofereça ao Pai e assim santifique nossa vida, juntos com todos os que se reúnem para celebrar. E é nosso dever, dentro desta promessa, buscar também a comunhão com os irmãos.

 

Antífona de Comunhão


Original em latim: “Tollite hóstias, et intríte in átria eius: 
adoráte Dóminum in aula sancta eius. Tp (Alleluia)” (Salmo 95,8.9)

Vernáculo: Trazei oferendas e entrai nos seus átrios, 
Adorai o Senhor em seu santo esplendor. (tradução: Missal Romano)


O título que se dá ao Salmo 95 é “Glória ao Criador”. Ele é um hino de louvor pelas obras de Deus Criador. O salmo inteiro impõe como se deve dar glórias ao Senhor, por Sua Majestade, por Seu poder, por Sua justiça, enfim, por tudo o que representa perante Sua criação.  É Deus que ampara todo o universo e governa a história da humanidade.

A primeira parte do salmo corresponde a uma adoração ao Senhor diante do seu Santuário, no templo de Sião. São expressões que usamos de frente ao Rei dos reis, ao Senhor de nossas vidas. O gesto fundamental perante o Senhor Rei, que manifesta a sua glória na história da salvação é, por conseguinte, o cântico de adoração, de louvor e de bênção. Estas atitudes são esperadas de todos nós após receber a Sagrada Eucaristia, mas, além disso, devem também fazer parte da nossa Vida Litúrgica, da nossa oração pessoal.

A Antífona são os versículos 8 e 9, onde o salmo expõe a adoração através de oferendas. Essa adoração e oferta são realizadas dentro do “átrio”, ou seja, tomando o significado da palavra, “Trazei oferendas e entrai na sala principal do Senhor”. O trecho do Salmo na Antífona de Comunhão trata Deus como uma construção. Cantamos o salmo 95 como quem edifica uma casa. Edificamos o Templo do Senhor dentro de nossos corações, no centro de nossa alma; “entrai nos seus átrios”, portanto, é, neste contexto, entrar dentro do nosso interior, aonde, através da Sagrada Comunhão e dos Sacramentos, habita Deus.

Não podemos entrar em “Seus átrios” de mãos vazias. E o que ofertamos a Ele? Que tipo de oferenda podemos apresentar dentro de nossa alma a Jesus, nosso Senhor?

Vai dizer o salmo 50: “meu sacrifício é minha alma penitente”, um espírito contrito. Deus não despreza um coração arrependido e humilhado. Se entramos nos átrios do Senhor com humildade, seremos a própria oferta. Se formos soberbos, entraremos de “mãos vazias”. É preciso este entendimento de sermos a própria oferta, o próprio sacrifício (assim como Jesus é por nós em toda Santa Missa).

Devidamente limpos, “vazios” dos pecados, encontremos Jesus na Sagrada Eucaristia, entoemos o Salmo 95 da Antífona de Comunhão e nos ofereçamos como sacrifício vivo, desprendidos de qualquer sentimento deste mundo que nos impede de encontrar o Cristo. E assim, prontos, deixemos que o Senhor nos preencha.

Como disse Santa Teresa D’Ávila em um de seus belos poemas: “... nada te falta com Deus no coração, só Deus basta”

 






REFERÊNCIAS

AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. Comentários aos Salmos. São Paulo: 1997. Coleção Patrística.

CNBB, Missal Dominical. Missal da Assembleia Cristã.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 8ª impressão, 2012.

CATENA AUREA. Exposição contínua sobre os evangelhos. Vol. 1: Evangelho de São Mateus. Santo Tomás de Aquino. 1ª edição – julho de 2018 – CEDET

 


Comentários

  1. Muito feliz por sua bela iniciativa! Que Deus lhe abençoe sempre, também à sua família e vocação, e nossa Senhora lhes guarde sob seu manto!

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