Entender as meditações litúrgicas propostas para cada Liturgia é importante como chave de leitura para entender as antífonas propostas para o nosso canto na Santa Missa. Por este motivo que se faz necessário este pequeno comentário resumido da Liturgia da Palavra.
O que você tem feito com a sua vida?
Neste domingo a liturgia nos traz a parábola dos vinhateiros homicidas. Nosso Senhor fala de um grupo de facínoras que, em vez de cuidar da vinha do patrão, a fim de fazê-la gerar bons frutos, decide maltratar os demais empregados, agarrando a um e apedrejando a outro. Esses malfeitores são comparados “aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo”, de quem Deus esperava “que produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens”, como lemos na primeira leitura (Is 5, 2). Os vinhateiros assassinos terminam matando o filho do proprietário, numa clara alusão à crucificação de Jesus. (trecho retirado do Pocket Terço)
Na conclusão do Evangelho Jesus nos dá um aviso: “o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. É nítido que o pedido é que produzamos frutos! E frutos que permaneçam,
Cada um de nós tem uma missão individual e insubstituível, e, dentro do estado de vida de cada um de nós devemos ser o “sal e a luz”, devemos produzir frutos. É o que Deus espera de nós. Não importa se é padre ou casado, solteiro ou consagrado, precisamos produzir frutos.
Nós somos a vinha do Senhor. Na primeira leitura, vemos que Deus espera que demos frutos, como bom agricultor, espera de nós frutos saborosos, o que nem sempre acontece, assim, o Agricultor se decepciona.
Para gerar frutos precisamos estar unidos à Videira Verdadeira, que é Jesus! É o amor que nos faz estar unidos a Ele! Não podemos amar com o amor que vemos neste mundo, mas com o amor que Cristo nos amou, aquele que dá a vida por seus amigos. Quando amamos nos esforçamos para não desagradar o ser amado. Este é o verdadeiro amor: fazer a vontade de Deus.
Na segunda leitura, Paulo nos mostra como podemos dar frutos. Ele nos mostra quais devem ser nossas ocupações. Estamos no meio do mundo, somos escolhidos para dar frutos, é o que diz o versículo da Antífona do Aleluia! “Ocupai-vos de tudo o que é verdadeiro”.
Sem Jesus nada
podemos fazer! Por esse motivo Jesus traz a parábola da videira, aonde nós somos
os ramos. Se não estivermos conectados à Videira, morremos. Juntos de Jesus,
caminhando com Ele, fazendo a vontade do Pai, vamos nos fortalecendo para que
possamos cumprir a Sua Justíssima Vontade. Cumprindo nossa missão, produziremos frutos, e estes, permanecerão.
Antífona de Entrada
“In volutate tua, Dómine, universa sunt posita, et non qui possit, resistere voluntati tuae: tu enim fecisti ómnia caelum et terram, et universa quae caeli ambitu continentur: Dominus universorum tues.” (Est 4, 17c-17e + Sl 118 (119))
Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!
Estrofe: Sl 118
–1 Feliz o homem sem pecado em seu caminho, *que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
–2 Feliz o homem que observa seus preceitos, *e de todo o coração procura a Deus!
–3 Que não pratica a maldade em sua vida, *mas vai andando nos caminhos do Senhor.
O trecho da antífona é uma parte da oração de Mardoqueu. O contexto da oração dá-se ao momento em que a rainha Ester pede que rezem por ela pois dependerá dela a salvação do povo. Ela pede que jejuem e orem por esta causa que põe em risco a sua vida. A oração de Mardoqueu é nestas circunstâncias. A atitude da rainha é de grande humildade e na oração de Mardoqueu expressa-se logo de início que o poder é todo de Deus e que ninguém resiste à sua vontade. E assim inicia a intercessão de Mardoqueu pelo destino da rainha Ester pela salvação do povo de Israel.
O Salmo 118 que acompanha a antífona é o salmo da lei! Daquele que se coloca obediente à Palavra e por isso é feliz! Felicidade adquirida pela obediência, não somente daqueles que obedecem mas que procuram viver santamente.
A rainha Ester e Mardoqueu nos ensinam um gesto de humildade ao jejuarem e revestirem-se de saco e cinza, mostrando assim do pó de onde vieram e para que assim orassem ao Senhor para que fosse feita a Sua vontade, demonstrando o completo abandono à Divina vontade.
Iniciando a
Santa Missa com esta antífona nós afirmamos o poder de Deus sobre todas as
coisas por Ele criadas, inclusive a nós. Somos a Vinha do Senhor! Somos Israel,
Seus servos e nele depositamos o nosso futuro. Não podemos resistir à Sua
Vontade, pois Dele viemos e para Ele voltaremos. Assumimos que somos propriedade
Dele. Assumimos que pertencemos à Videira Verdadeira que é Cristo.
Salmo Responsorial 79
℟.
A vinha do Senhor é a casa de Israel.
O refrão deste salmo é tirado da primeira leitura. É um salmo de súplica coletiva. Deus “arrancou” seu povo do Egito e lhe deu nova terra. A Casa de Israel é essa nova terra aonde Deus a protegeu, como se está protegido dentro de uma casa. Neste salmo Deus é apresentado como pastor, agricultor, como aquele que cuida, seja da terra ou das suas ovelhas. Cantamos neste salmo a vinda de Jesus, nosso Salvador e sua vinda.
Deus retirou o povo da escravidão do Egito para lhe dar terra boa. Hoje Deus nos convida a deixarmos a escravidão do pecado e tudo aquilo que é morte! O que damos valor nesta vida? Propriedades? Pessoas? Dinheiro? Coisas? Vejam! Tudo isso passa, tudo morre, apodrece. Deus nos convida a olhar para dentro de procurarmos enxergar como está nossa alma.
Pedimos então ao Senhor: “Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai.” Foi o Senhor que nos fez e somos seus, somos a sua vinha! Este canto salmódico é um convite para deixarmos todos os bens que passam para escolher pelos bens que não passam.
Tudo o que está no mundo é disposto tanto para os bons quanto para os maus, mas Deus se dá apenas para os bons. Por isso que o salmo pede “dai-nos vida”; uma vez apegados aos bens terrenos, estamos mortos; quando unidos a Cristo, ao nosso interior, voltamos à vida.
Cantamos esse
salmo nesta liturgia pois temos a certeza de que somos a vinha do Senhor e
através da busca da santificação de nossas almas podemos gerar frutos de salvação.
Antífona de Ofertório
Texto Original:
“Vir erat in terra nomine Iob, simplex et rectus, ac timens Deum: quem Satan petiit, ut tentáret: et data est ei potéstas a Dómino in facultáte et in carne eius: perdidítque omnem substántiam ipsíus, et fílios: carnem quoque eius gravi úlcere vulnerávit.” (Iob 1et 2,7)
Vernáculo:
Havia na terra um homem chamado Jó, Íntegro, reto e temente a Deus, A quem Satanás pediu para tentar. E foi lhe dado o poder pelo Senhor em sua mente e sua carne. Destruiu todo os seus bens e seus filhos; Feriu também sua carne com uma grave chaga.
A história de Jó é uma lição de obediência e abandono à vontade de Deus. Há situações vividas por qualquer um de nós em que nós nada podemos fazer a não ser aceitar. É obvio que se há algo para ser feito, devemos fazer, pedindo forças para isso. Porém, diversas são as situações em que o pedido a ser elevado a Deus é apenas o de: “dai-me forças, Senhor!”. Esta é a lição da história de Jó a que se remete a antífona de ofertório.
Fazer dela nossa oração no momento do ofertório é como um completo abandono da carne e da alma aos revezes da vida, conscientes de que tudo é permissão Divina. É preciso um olhar espiritual e não deste mundo
Neste ofertório,
entregamos a nossa vida ao Senhor, corpo e alma, fazendo a Sua vontade em meio
às tribulações deste mundo, confiantes de que estamos conectados à Videira
Verdadeira, para que, através da graça santificante, possamos dar frutos.
Antífona de Comunhão
Texto Original:
“In salutari tuo ánima mea, et in verbum tuum speravi: quando fácies de persequentibus me iudicium? Iníqui persecúte sunt me, ádiuva me, Dómine Deus meus.” (Salmo 118, 81.84.86)
Minha alma se consome aguardando vossa salvação. Toda a minha esperança está na vossa palavra. Quando fareis o julgamento dos que me perseguem? Ajudai-me contra os que me perseguem injustamente!
O trecho do salmo proposto nesta antífona se aplica muito bem para o momento de recebermos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele que viveu na carne entre nós, convém a todos nós, membros deste mesmo corpo proclamar: “minha alma se consome” em vós! E anseia pela salvação. Esperamos em vossa Palavra, esta é a nossa fé. A esperança faz com que pela paciência se espere o que nós não vemos. Seguimos na antífona ainda procurando paciência para esperar no julgamento, aguentando o que Deus nos permite viver neste mundo.
O salmo também expressa a ansiosa segunda vinda de Cristo. O segundo julgamento. A Santa Missa, é uma antecipação do que veremos no céu deixada por Jesus na última ceia. É neste momento que nos unimos verdadeiramente a Cristo e formamos assim o seu Corpo Místico.
Ao receber Jesus
e meditar nas palavras do salmo 118, o salmo da obediência à lei, suplicamos ao
Senhor que nos mantenha firmes na esperança da salvação, amigos do Senhor,
conectados à Ele. Que em meio às perseguições e nossa cruz que carregamos,
possamos aumentar a nossa fé, confiando que nos mantendo fiéis às práticas de
seus mandamentos estaremos no caminho do céu. E isto que espera o Agricultor: que
produzamos frutos e que eles permaneçam.
REFERÊNCIAS
SANTO AGOSTINHO DE HIPONA. Comentário aos salmos. Paulus, São Paulo – SP, 2008.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 8ª impressão, 2012.
CNBB, Missal
Dominical. Missal da Assembleia Cristã.

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