28º Domingo do Tempo Comum Ano A | Entendendo as Antífonas

 Como estão nossos trajes de festa?

 

A Adoração do Cordeiro - Jan van Eyck - Óleo sobre madeira - 1432

Insistentemente contempla a Igreja  o dia do Cristo que vem e nos convida a encararmos a vida terrestre à luz da parusia (segunda vinda) do Senhor. O pensamento principal desta Missa é esse: melhor preparação para o dia do juízo e perfeito cumprimento dos nossos deveres de estado de vida, seja casados, solteiros, consagrados, etc. Devemos nos apresentar no dia do retorno de Cristo com pureza e sem culpa, colhendo os frutos de uma vida justa.

O Evangelho nos remete ao “Banquete do Cordeiro” ou seja, ao convite da união com Cristo; ao último e eterno banquete. O primeiro convite foi destinado a uma festa, no segundo, a um casamento. A primeira festa remete-nos ao Antigo Testamento, depois, na segunda, ao Casamento (bodas), a união com Cristo que são observadas tanto como o Banquete antecipado (Santa Missa) ou ao Banquete Eterno definitivo.

Desde Abraão os homens são convidados para o “Banquete da União com Deus”. Enviou Moisés, os profetas, até que Ele mesmo veio, fez-se carne e fez o convite. Até nossos dias o convite é feito através da Evangelização. Somo convidados!

Assim diz o Senhor: “A festa de casamento está pronta...”. Tudo o que buscamos para a nossa salvação está ao nosso alcance. Hoje mais do que nunca temos tantos meios para escutar a Voz de Deus. Ela ecoa por diversos meios de comunicação, desde os que a internet alcança, até os de sempre: a palavra dos irmãos. O ignorante encontra algo o que aprender; o desobediente encontra algo que temer; o trabalhador encontra promessas pelas quais é estimulado a trabalhar.

Em todos os caminhos o Senhor envia o convite; envia a todas as profissões deste mundo. Quer que sejam chamados à fé os homens, qualquer que seja a sua condição. A castidade é o caminho que leva para Deus, mas a fornicação o caminho que leva ao Diabo; e do mesmo modo às demais virtudes e aos demais vícios. Mesmo assim, independentemente, todos são convidados.

Estamos na Santa Missa que é a antecipação da “Festa de Casamento” de nossa alma com Cristo e com que traje estamos? Com as vestes nupciais? Ou sujos pelo pecado?

Fato é que hoje vivemos o tempo da misericórdia, do perdão, da conversão. Tempo de lavarmos nossas “vestes” no sangue do Cordeiro. Tempo de buscar estarmos sempre preparados pois a qualquer momento Jesus voltará, ou então, voltaremos para ele pela morte corporal. Procuremos estar limpos e dignos da Santa Missa, mantendo-nos em estado de graça e, sobretudo, fazer boas obras, para assim preparados aqui nesta terra, também estarmos preparados para a Festa no Céu.


Antífona de Entrada

“Si iniquitátes observáveris Dómine, Dómine quis sustinébit? Quia apud te propitiátio est, Deus Israel. Ps. De profúndis clamávi ad te Dómine: Dómine exáudi vocem meam. (Ps. 129, 3. 4 et 1. 2)”

Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel.
 
Estrofe: Sl 129
Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, * † escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos * ao clamor da minha prece!

Este salmo expressa que Deus conhece todas as nossas culpas e que se Ele as leva em conta ninguém será considerado inocente. Porém, em Deus se encontra o perdão, a misericórdia. Estamos mergulhados nas “profundezas” de uma vida mortal. Por isso, nas “profundezas”, na “noite escura”, descobrimos o rosto de Deus, que nos espera. As profundezas são as nossas doenças espirituais (gula, luxúria, ira, preguiça etc.); a doença está em nossa alma. Mais vale a salvação da alma do que a cura corporal.

Entramos hoje no santuário, possuídos de sentimentos de penitência e com a alma preocupada, numa antecipação do julgamento. Sobrecarregados com os nossos pecados, clamamos ao Senhor pelo perdão, da profundeza de nosso exílio terrestre.

Precisamos ter esperança no Senhor (parusia) e O buscarmos para alimentar a nossa fé. Esperamos em sua Palavra, sua lei. Cantando este salmo no canto de entrada expressando o nosso arrependimento, que confiamos e esperamos na misericórdia do Senhor em nosso juízo.

 

Salmo Responsorial 22

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

O salmo 22 é de confiança individual, de total confiança no Senhor. O salmista diz que o Senhor é o seu pastor, ou seja, um tema que recorda o êxodo, do pastor que conhece, cuida de suas ovelhas e às guia para o “caminho seguro”. O salmista é totalmente entregue ao seu pastor. O Senhor que tirou o seu povo, seu rebanho, do “curral” do Egito o conduziu pelo deserto até a terra prometida.

Cantamos este salmo nesta liturgia com a mesma certeza do salmista: somos o rebanho do Senhor e confiamos no nosso pastor. Mesmo passando por um deserto deste mundo inseguro somos confiantes de que o nosso Pastor nos conduzirá pelo caminho mais seguro rumo à Pátria Celeste.


Antífona de Ofertório

Texto Original:
“Recordare mei, Dómine, omni potentátui dóminans: da sermonem rectum in os meum, ut placeant verba mea in conspéctu príncipis.”  (cf. Esth 14, 12.13)

Vernáculo:
Recordai-vos de mim, Senhor
Vós que dominais todo poder.
Ponde a palavra certa em minha boca,
Para que minhas palavras vos agradem
na presença do príncipe.

Nesta oração de súplica da rainha Ester, observamos que, mesmo sendo rainha e tendo autoridade, ela tem consciência de que esta condição é um presente de Deus, um dom. Deus lhe deu a oportunidade de libertar o seu povo. Em sua oração, ela pede ao Senhor que se recorde dela, pede sabedoria em suas palavras, que Deus a conduza diante do príncipe ao pedir libertação de seu povo. Isto nos recorda as palavras de Jesus: “Quando vos levares para vos entregar, não vos preocupeis com o que falar. Falai o que vos for dado naquela hora, pois não sois vós que falareis, mas o Espírito Santo.” (Mc 13,11). “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Cantando a oração de Ester na apresentação dos dons, fazemos a oferta de nossas vidas junto com a oferta das ofertas, o próprio Cristo. Como a Rainha Ester, sabemos que sem Deus nada podemos, e em atitude de humildade, reconhecendo as nossas fraquezas, pedimos a graça de dirigir a Cristo, nosso Rei, as palavras apropriadas (como ensina a Liturgia). Suplicamos a Deus a libertação das “profundezas” de nossa alma, reconhecendo Jesus como o caminho, a verdade e a vida. Pedimos também o dom da sabedoria, graça do Espírito Santo, para conduzir nossas ações para que todos reconheçam Jesus como único salvador.

 

Antífona de Comunhão


Texto Original:
“Aufer a me oppróbium et contémptum, quia mandata tua exquisivi, Dómine: nam et testimonia tua meditatio mea est.” (Salmo 118, 22.24)

Tirai de mim o opróbrio e o desprezo;
Guardei vossos ensinamentos, Senhor;

Pois vossos ensinamentos são meu prazer.A oração do salmista nesta antífona de comunhão é de que Deus afaste (tire) dele o desprezo e opróbio (vergonha) de passar por certos males desta vida, como que se em meio aos sofrimentos alguém zombasse: “aonde está o teu Deus que você tanto acredita? A quem tanto suplica? De que adianta rezar tanto se Deus lhe dá sofrimentos?

O salmista não reza por si, mas pelos que o zombam. Como se sua humilhação não servisse de testemunho para estes que o zombam. Ao dirigirmos esta prece a Deus desta maneira, não consideramos castigo receber opróbrios e desprezos da parte dos soberbos, pois é através disto que alcançamos a salvação. Acaso podemos desprezar a cruz? Aceitar nossa Cruz é um remédio da humildade cristã.

Esta é uma prece e um convite a amar todos os que nos menosprezam por nossa fé. É a humilhação de quem se lança aos pés de Jesus, com o rosto por terra. A prece pelos que não adoram, não amam e não esperam em Jesus.

Neste canto fazemos também um pedido de socorro; A Eucaristia é uma antecipação do juízo (quem está vestido para a festa? Quem está preparado?); agora vem o Cristo como Amigo, e então virá como juiz.

Ao receber Jesus, na comunhão, com o refrão do salmo, pedimos a Jesus, que fazendo presença em nossas vidas, façamos o bem mesmo em meio a tantas amarguras e desprezos. Estejamos firmes em Vossos ensinamentos, pois seguir a Jesus é o nosso deleite. Só podemos chegar às profundezas do mistério de Deus e do homem com a liberdade que desprende o homem do que é superficial e provisório. A cura da alma conseguimos pela comunhão frequente, a adoração de Jesus presente na Eucaristia, o Bem Maior.

Adoremos pois ao Senhor, presença viva na Sagrada Comunhão, e peçamos a graça de permanecer unidos a Ele, com nossas vestes alvejadas no sangue do Cordeiro, cheios de fé, esperança e amor.

 

Escrito por Marcela Buback

 

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REFERÊNCIAS

 

SANTO AGOSTINHO DE HIPONA. Comentário aos salmos. Paulus, São Paulo – SP, 2008.


BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 8ª impressão, 2012.


CNBB, Missal Dominical. Missal da Assembleia Cristã.

 

BORTOLINI, J. Conhecer e rezar os salmos. Comentário popular para nossos dias.  Ed Paulus. São Paulo, 2000.


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