Como estão nossos trajes de festa?
Insistentemente contempla a Igreja o dia do Cristo que vem e nos convida a encararmos a vida terrestre à luz da parusia (segunda vinda) do Senhor. O pensamento principal desta Missa é esse: melhor preparação para o dia do juízo e perfeito cumprimento dos nossos deveres de estado de vida, seja casados, solteiros, consagrados, etc. Devemos nos apresentar no dia do retorno de Cristo com pureza e sem culpa, colhendo os frutos de uma vida justa.
O Evangelho nos remete ao “Banquete do Cordeiro” ou seja, ao convite da união com Cristo; ao último e eterno banquete. O primeiro convite foi destinado a uma festa, no segundo, a um casamento. A primeira festa remete-nos ao Antigo Testamento, depois, na segunda, ao Casamento (bodas), a união com Cristo que são observadas tanto como o Banquete antecipado (Santa Missa) ou ao Banquete Eterno definitivo.
Desde Abraão os homens são convidados para o “Banquete da União com Deus”. Enviou Moisés, os profetas, até que Ele mesmo veio, fez-se carne e fez o convite. Até nossos dias o convite é feito através da Evangelização. Somo convidados!
Assim diz o Senhor: “A festa de casamento está pronta...”. Tudo o que buscamos para a nossa salvação está ao nosso alcance. Hoje mais do que nunca temos tantos meios para escutar a Voz de Deus. Ela ecoa por diversos meios de comunicação, desde os que a internet alcança, até os de sempre: a palavra dos irmãos. O ignorante encontra algo o que aprender; o desobediente encontra algo que temer; o trabalhador encontra promessas pelas quais é estimulado a trabalhar.
Em todos os caminhos o Senhor envia o convite; envia a todas as profissões deste mundo. Quer que sejam chamados à fé os homens, qualquer que seja a sua condição. A castidade é o caminho que leva para Deus, mas a fornicação o caminho que leva ao Diabo; e do mesmo modo às demais virtudes e aos demais vícios. Mesmo assim, independentemente, todos são convidados.
Estamos na Santa Missa que é a antecipação da “Festa de Casamento” de nossa alma com Cristo e com que traje estamos? Com as vestes nupciais? Ou sujos pelo pecado?
Fato é que hoje
vivemos o tempo da misericórdia, do perdão, da conversão. Tempo de lavarmos
nossas “vestes” no sangue do Cordeiro. Tempo de buscar estarmos sempre
preparados pois a qualquer momento Jesus voltará, ou então, voltaremos para ele
pela morte corporal. Procuremos estar limpos e dignos da Santa Missa,
mantendo-nos em estado de graça e, sobretudo, fazer boas obras, para assim
preparados aqui nesta terra, também estarmos preparados para a Festa no Céu.
Antífona de Entrada
Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel.
Estrofe: Sl 129
Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, * † escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos * ao clamor da minha prece!
Entramos hoje no santuário, possuídos de sentimentos de penitência e com a alma preocupada, numa antecipação do julgamento. Sobrecarregados com os nossos pecados, clamamos ao Senhor pelo perdão, da profundeza de nosso exílio terrestre.
Precisamos ter esperança
no Senhor (parusia) e O buscarmos para alimentar a nossa fé. Esperamos em sua
Palavra, sua lei. Cantando este salmo no canto de entrada expressando o nosso
arrependimento, que confiamos e esperamos na misericórdia do Senhor em nosso
juízo.
Salmo Responsorial 22
Cantamos este
salmo nesta liturgia com a mesma certeza do salmista: somos o rebanho do Senhor
e confiamos no nosso pastor. Mesmo passando por um deserto deste mundo inseguro
somos confiantes de que o nosso Pastor nos conduzirá pelo caminho mais seguro
rumo à Pátria Celeste.
Antífona de Ofertório
“Recordare mei, Dómine, omni potentátui dóminans: da sermonem rectum in os meum, ut placeant verba mea in conspéctu príncipis.” (cf. Esth 14, 12.13)
Vernáculo:
Vós que dominais todo poder.
Ponde a palavra certa em minha boca,
Para que minhas palavras vos agradem
na presença do príncipe.
Nesta oração de súplica da rainha Ester, observamos que, mesmo sendo rainha e tendo autoridade, ela tem consciência de que esta condição é um presente de Deus, um dom. Deus lhe deu a oportunidade de libertar o seu povo. Em sua oração, ela pede ao Senhor que se recorde dela, pede sabedoria em suas palavras, que Deus a conduza diante do príncipe ao pedir libertação de seu povo. Isto nos recorda as palavras de Jesus: “Quando vos levares para vos entregar, não vos preocupeis com o que falar. Falai o que vos for dado naquela hora, pois não sois vós que falareis, mas o Espírito Santo.” (Mc 13,11). “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).
Cantando a
oração de Ester na apresentação dos dons, fazemos a oferta de nossas vidas
junto com a oferta das ofertas, o próprio Cristo. Como a Rainha Ester, sabemos
que sem Deus nada podemos, e em atitude de humildade, reconhecendo as nossas
fraquezas, pedimos a graça de dirigir a Cristo, nosso Rei, as palavras
apropriadas (como ensina a Liturgia). Suplicamos a Deus a libertação das
“profundezas” de nossa alma, reconhecendo Jesus como o caminho, a verdade e a
vida. Pedimos também o dom da sabedoria, graça do Espírito Santo, para conduzir
nossas ações para que todos reconheçam Jesus como único salvador.
Antífona de Comunhão
Pois vossos ensinamentos são meu prazer.A oração do salmista nesta antífona de comunhão é de que Deus afaste (tire) dele o desprezo e opróbio (vergonha) de passar por certos males desta vida, como que se em meio aos sofrimentos alguém zombasse: “aonde está o teu Deus que você tanto acredita? A quem tanto suplica? De que adianta rezar tanto se Deus lhe dá sofrimentos?
O salmista não reza por si, mas pelos que o zombam. Como se sua humilhação não servisse de testemunho para estes que o zombam. Ao dirigirmos esta prece a Deus desta maneira, não consideramos castigo receber opróbrios e desprezos da parte dos soberbos, pois é através disto que alcançamos a salvação. Acaso podemos desprezar a cruz? Aceitar nossa Cruz é um remédio da humildade cristã.
Esta é uma prece e um convite a amar todos os que nos menosprezam por nossa fé. É a humilhação de quem se lança aos pés de Jesus, com o rosto por terra. A prece pelos que não adoram, não amam e não esperam em Jesus.
Neste canto fazemos também um pedido de socorro; A Eucaristia é uma antecipação do juízo (quem está vestido para a festa? Quem está preparado?); agora vem o Cristo como Amigo, e então virá como juiz.
Ao receber Jesus, na comunhão, com o refrão do salmo, pedimos a Jesus, que fazendo presença em nossas vidas, façamos o bem mesmo em meio a tantas amarguras e desprezos. Estejamos firmes em Vossos ensinamentos, pois seguir a Jesus é o nosso deleite. Só podemos chegar às profundezas do mistério de Deus e do homem com a liberdade que desprende o homem do que é superficial e provisório. A cura da alma conseguimos pela comunhão frequente, a adoração de Jesus presente na Eucaristia, o Bem Maior.
Adoremos pois ao
Senhor, presença viva na Sagrada Comunhão, e peçamos a graça de permanecer
unidos a Ele, com nossas vestes alvejadas no sangue do Cordeiro, cheios de fé,
esperança e amor.
Escrito por Marcela
Buback
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REFERÊNCIAS
SANTO AGOSTINHO DE HIPONA. Comentário aos salmos. Paulus, São Paulo – SP, 2008.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 8ª impressão, 2012.
CNBB, Missal
Dominical. Missal da Assembleia Cristã.
BORTOLINI, J. Conhecer
e rezar os salmos. Comentário popular para nossos dias. Ed Paulus. São Paulo, 2000.

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